23
Out 07

Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na Véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.

Até ao início das férias era um casal de chineses recém chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.

-Que quele? Pode vele.

Faziam as contas nas costas de um papel impresso com orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.

Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele que orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas á porta, condu-las até á prateleira das molduras, das velas, das porcelanas faz sugestões, indica preços.

 

O seu nome era Yang Shu, e tal como os tios, não falava Português, apenas sabia algumas expressões.

O seu sonho era ser Português e casar em Portugal.

Era Yang Shu quem dava todo o lucro á loja, Mal as pessoas entravam, ficavam automaticamente maravilhadas com o seu sorriso. Via-se nos olhos dele que trabalhava ali por gosto.

Certo dia, entrou na loja uma rapariga lindíssima, de seu nome Inês, que tal como as outras pessoas ficou maravilhada com tal simpatia, mas não foi apenas isso que ela sentiu quando o viu, teria ela encontrado o seu príncipe?

Passou a ser um hábito, para Inês ir àquela loja, todos os dias, por volta das 10h:00 da manhã lá estava ela a cumprimentar Yang Shu, e como já eram amigos muito íntimos, a contar-lhe que tinha sonhado com ele. Via-se que tal como Inês, Yan Shu estava a ficar apaixonado.

Até que chegaram a um dia, em não podiam esconder mais o que sentiam um pelo outro.

Apôs 3 anos de namoro, Yang Shu pediu Inês em casamento. Esta ficou contentíssima, mas também quem não ficaria feliz por casar com um rapaz daqueles. Quem não achou tanta piada foram os pais da futura noiva, nunca aceitaram a ideia da filha namorar com um Chinês, para eles aquilo era uma afronta, pois achavam que os Chineses vinham para Portugal apenas com a ideia de um dia mais tarde se apoderarem do nosso país. Por estas por outras razões, Inês ficou proibida de ver Yang Shu. Nesse dia Inês trancou-se no quarto e chorou toda a noite, até que ouviu o barulho de pedras a caírem na varanda e foi a correr abrir a porta, desta mesma. Ainda com os olhos lavados em lágrimas, ergueu a cabeça e deparou-se com Yang Shu, correu para junto dele, e saltou para os seus braços, por sua vez Yang limpou-lhe as lágrimas e sugeriu que ela fugisse com ele para a China, lá poderiam ser felizes, sem ninguém a interferir na sua relação. Inês lembrou-se imediatamente que Yang tinha como desejo ser português e casar em Portugal, e colocou essa questão ao seu noivo. Yang Shu não pensou duas vezes e disse logo abdicar de todos os seus sonhos por ela, mas que nunca venderia a sua loja, pois foi naquele local que ambos se conheceram, nem que para isso tivesse que contratar algum empregado para tomar conta da loja. Assim, Inês aceitou o pedido de Yang e fugiu com ele para a China deixando os seus pais sem informações acerca do seu paradeiro, estes passaram a vê-la apenas uma vez por ano, quando ela e Yang iam verificar o estado e o rendimento da loja.

   

 


18
Out 07

Anita vende a doçura em frascos. Enche-os de compota de fruta, tapa-os e cola-lhes uma etiqueta, mas, em vez de escrever compota disto ou compota daquilo, de mirtilos ou de pêssego, de marmelo ou de morango, arredonda a letra e escreve apenas Doçura. Senta-se no passeio com os frascos defronte, expostos no asfalto, junto aos pés, e não lhe faltam clientes. A compota vende-se muito bem e ninguém regressa para reclamar: quem compra julga que a doçura está toda
nos olhos de Anita…

… E também nas suas mãos. Achando por isso que ela transmite parte da sua doçura para as compotas.

            Certo dia, Anita ia a passar onde viviam as pessoas mais necessitadas da sua Freguesia e ficou muito sensibilizada ao ver a pobreza em que elas viviam, lembrando-se dos tempos em que vivia na rua. As lágrimas vieram-lhe aos olhos.

            Sabendo que aquelas pessoas estavam a passar fome, decidiu voltar lá no dia seguinte e levar-lhes alguns frascos de compotas e outro tipo de alimentos.

            No dia seguinte levantou-se muito cedo, pegou nas compotas e no resto dos outros alimentos e seguiu o seu caminho. Quando lá chegou deparou-se com uma criança que estava quase a morrer, preocupada, correu para junto dela e acariciou-a, deu-lhe todo o seu carinho. Passado algum tempo a criança começou a melhorar e a Anita percebeu que aquelas pessoas não precisavam só de alimentos, mas também de muito carinho. No final do dia, Anita sentia-se muito cansada, mas ao mesmo tempo muito feliz por ter feito aquelas pessoas sorrir e por lhes ter melhorado a vida.

            Passou então a ser, a Anita das compotas e carinhos.  


13
Out 07

Há muitos anos, num país muito longe daqui, um rei organizou um concurso com prémios. Aquele que ganhasse o concurso teria como prémio a mão da sua filha em casamento e metade do reino. O concurso consistia em fazer “a coisa mais incrível”. Como todos os homens do reino queriam casar com a Princesa e ter metade do reino, todos concorreram. Já no dia do concurso, o júri, devia escolher a coisa mais incrível. A Praça estava cheia de gente para assistir ao evento. Realmente havia coisas mesmo incríveis mas a mais incrível era mesmo um relógio de parede que estava montado numa espécie de armário. Mas o que tem um relógio de incrível? É uma coisa perfeitamente normal! Mas aquele relógio não era normal, quando dava a 1 hora, de dentro do relógio saía um mundo. Ás 2 saia o sol e a lua. Ás 3 badaladas saia um homem, uma mulher e uma criança. Ás 4 saiam quatro personagens que representavam as estações do ano. Ás 5 saiam cinco personagens a representar os cinco sentidos. Ás 6 saiam os continentes. Ás 7 saia um raio de luz que tocava no céu e fazia um arco-íris, com as sete cores: vermelho, amarelo, verde, azul, lilás, laranja e anil. Ás 8 saiam os monges. Ás 9 desfilavam nove meninas a cantar e a dançar. Ás 10 saia Moisés que tinha acabado de gravar os Dez Mandamentos nas tábuas da lei. Ás 11 saia uma jovem acompanhada por onze animais: um cão, um pato, um ganso, uma ovelha, uma vaca, uma cabra, uma galinha, um porquinho, um coelho e um gato. Por fim á meia-noite saia um guarda-nocturno. No dia seguinte foi anunciado o vencedor, que como já estava previsto, foi o inventor do relógio que por sua vez era muito bonito. Todos os habitantes estavam satisfeitos com o vencedor, menos um homem feio que estava no meio do povo e que afirmava fazer uma coisa muito mais incrível, este pegou num machado e destruiu o relógio. Ninguém queria acreditar, era a coisa mais incrível (pelo lado negativo) que eles alguma vez tinham visto. Após o sucedido, o júri achou por bem que o vencedor era o horrível destruidor do relógio. Sendo assim a Princesa teve que casar com ele.


02
Out 07

A ACÇÃO é o desenrolar dos acontecimentos, através do diálogo e da movimentação das personagens.

 

Estrutura da acção

 

 

                          Interna

 

Exposição – Fase inicial em que se faz a apresentação das personagens e dos antecedentes da acção;

Conflito – Sucessão de acontecimentos que constituem a acção.

Desenlace – Parte inicial que contém o desenlace feliz ou infeliz da acção dramática.

 

                          Externa

 

Acto – Grande divisão do texto dramático, que decorre num mesmo espaço. Sempre que há mudança de cenário, há novo acto.

Cena – Divisão do acto determinada pela entrada ou saída de uma personagem.

 

 


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